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Escarro & Mal-Querer (Amazon)

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Escarro & Malquerer (2012/2014)

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Demissão

Conheci-te pequeno
Nos pátios da escola
A jogar à bola!…
E já então que talento!!

Eras um minorca (mas)
“Raçudo” no jogo…
Nessa entrega, arrojo!
Jogador de força!

Não davas por perdida
Toda e qualquer bola…
Nos pátios dessa escola…
Qu’eram a nossa vida!

E seguiste o percurso
Do jogador feito
Até tinhas jeito!
Mas não então pr’o curso!

E a “sorte” surgiu
No momento merecido
De jogador perdido…
Ao salto que se viu!

E das distritais
Chegaste ao estrelato!
Num merecido retrato
Do pequeno de “Vinhais”!

Ainda que Lisboeta
Nascido como eu!
A origem que nos deu
Foi pr’a lá da meseta!

E é ess’a obstinação
Que se via no “Rainha”
A tua igual à minha
Por tal correlação!

E singraste no ensejo
Que nos era comum:
E no futebol só um
Valeu no teu desejo!

Tens-te nesse mérito
Por teres acreditado
D’homem obstinado
Já ao tempo pretérito!

E hoje neste tempo
Seleccionador nacional!
E tod’o Portugal
Conheç’o Paulo Bento!

E do pequeno jogador
Que sempre dava luta!
Ao homem que disputa
O jogo sem temor!

Mas, nem tudo resulta
Da extrema dedicação!
Qu’esta selecção…
De tempo não desfruta!

É hora de mudar
De jogo e timoneiro
E sei qu’és o primeiro
A ceder o lugar!

Por isso não reconheço
O homem nas palavras
Qu’ainda por amargas
O homem não despeço!

O que está em causa
É apenas o desenlace
Este perder de face
Que sentimos por casa!

Pois agora que lá vem
O último da ronda
E Portugal s’afunda
C’o Ghana também…

É hora de ceder
Nessa disputa da bola
Que nos pátios da escola
Também se pode aprender…

É hora da lição!
Qu’o segundo toque soou…
O Jogo acabou!!!
E a tua demissão?

Já chega, Paulo...

Já chega, Paulo…

O amor em tempos de cólera

É por Sevilha andaluza
Tórrida e insinuante
Uma cidade, uma amante
Nos seus acenos de musa

Qu’o meu Porto foi feliz
No amor e nos negócios!
Por seu labor e seus ócios
Teve por Sevilha, meretriz!

Um amor inesquecível
Qu’o projectou como símbolo
Nessa universalidade, o tipo
Do Lusitano irresistível!

Um D. Juan português
Qu’outras musas tomaria
Por sua aura e magia
Foi Europeu e Japonês!

E nesse encanto de conquista
Um Português cheg’ao auge!
E só por Lisboa se reage
C’um processo sem pista!

Ou c’uma pista adornada
No ressentimento da troca
Para onde o MP desloca
Tod’a uma equipa formada!

Uma brigada especial
Para descobrir o segredo!
Que nesse Porto, o enredo
Só pode dar pena capital!

E ressabiados no jogo
Tentam provar o nexo
Num intricado processo
Que tudo provou como logro!

Um português tão modesto
Arvorar-se em conquistador?
Tomando de Sevilha, o amor
E de Yokohama, outro gesto?

Já pr’a não falar d’Alemã
Que se vergou no seu ímpeto
Ao ver a princesa do Mónaco
Ser seduzida com elán!

Um processo muito complexo
Este dum jovem rural
Tomar todas por igual!
Deixando Lisboa sem sexo?

Por isso a Procuradora
Tanto insistiu nessa tese
Que só em Lisboa aparece
Uma alma tão sedutora!

E não conseguindo provar
A tese da violação!
Queria, no mínimo a sanção
Qu’o levasse a jejuar!

Mas quem contraria a génese?
Quem renega a condição?
Qu’uma Irlandesa, por paixão
Outra conquista lhe desse?

E aí a raiva alastrou
Na Lisboa que não abdica!
Não lhes bastav’a Austríaca
E o toque qu’a endoidou?

E num assomo de desejo
Lisboa também quis gozar!
Por Amesterdão se deixou amar
No último minuto…um bocejo!

É aqui que se not’a estirpe
De quem vem pr’a conquistar
Como Casanova, libertar
A mulher da sua griffe!

Pois o amor é natural
E é por entre corpos nus
Qu’os beijos tomad’os por crus
Nos deixam a todos por igual!

E nisso Sevilha marcou
O Porto d’eterna mocidade!
Que de volta a essa cidade
Se lembra que um dia amou!

E isso o fará reviver
Essa paixão d’outrora!
Ontem com’o d’agora
O Porto amará a vencer!

Indescritível...
Indescritível…

Logo que passe a monção…

Eram exageradas
As notícias dessa morte!
E o que nos calhou em sorte
Nessas páginas publicadas?

Qu’a salvação nos chegou
Na perna dum só jogador!
Salvando el’o treinador
Nesse empate que buscou!

Os tempos são turbulentos
Pelas costas da navegação
Onde se vislumbr’o campeão
No favorecimento dos ventos!

E como qu’escondidos
Desse passado inglório
O discurso é meritório!
Na brevidade, contidos…

Mas os panfletários urgem
Nos anúncios d’obras d’arte
Como um desejo-baluarte
Qu’em notícias sem confundem!

Por isso bem naveguemos
Ao nosso porto-destino
Com um propósito pristino
Na ondulação que sofremos!

Pois oscilámos nas vagas
D’encontro ao abismo-céu
Donde s’abrira esse breu
Como ondas enlutadas!

Mas mortos de cansaço
Nesses corpos ainda vivos
Navegámos, destemidos
Contr’o destino opiáceo!

Pois libertos do naufrágio
Aportámos nessa ilha
No qu’a monção-armadilha
Nos destinou por contágio…

E como que meio tolhidos
Nesse destino insólito
Tomámos apenas do ópio
A razão de estarmos vivos

Como na canção do Veloso
Afeiçoámo-nos ao vício
E todo e qualquer resquício
Desse Porto era horroroso!

Mas despertos num turbilhão
Por uma horda de crentes!
Nós, tornados indigentes
Assomámo-nos ao bastião!

E conscientes dessa nau
Que navegava à deriva
O Capitão deu guarida
A esse mouro do vau!

Que tornado nosso guia
Nos conduziu a novo Porto
Como recruta-piloto
Navegando dia-após-dia!

E crescendo em importância
Nessas hostes lusitanas
Teve Ghillas, as taprobanas
Como prova da sua ânsia!

E nada os pode deter
A essa nau de tantos embates
Que contra lutas e artes!
Se viu forçad’a combater!

E no desenlace da viagem
Desd’a Indía até ao Reno
O comandante, deu pleno
Plano à abordagem!

Ao seu capitão-de-fragata
Antes tão desacreditado!
Por não se ter por afortunado
Nessa sua primeira etapa!

Mas assim que orientado
Por esse piloto-mouro
Eis, quando senão o tesouro!
No final do Palatinado!?

E a história muda de centro
Nos pormenores qu’a moldam
Os homens que nela sonham
Com a força que vem de dentro!

E nessa raça e querer
Se fazem impérios, nações!
Se moldam os campeões
Desse novo-mundo e poder!

Por isso podem escrever
Nos anais que não morremos!
Ainda navegamos, ao menos
No que isso quer dizer!

E podem pensar duas vezes
Antes d’anunciar o veredicto!
Qu’o campeonato está escrito
É só questão d’alguns meses!

Pois s’ainda temiam
Qualquer réstia da nossa esp’rança
Temos a prova, na lança
Qu’em África ainda resistiam!

Por isso deitem foguetes
E façam a festa do título!
Que logo que passe este ciclo
Ainda nos vêem os dentes!

E no terror desse tempo
Outrora então revivido
Jesus já era nascido…
E ajoelhou lá no templo!

Por isso escrevam os feitos
D’outros heróis em acção
Que logo que pass’a monção…
Navegarem’os estreitos!

E entraremos no Porto
C’a nau bem segura
Que p’la honra, se jura:
Saberão notícias do…”morto”!

Crença!
Crença!

A sentença

O homem foi sentenciado
Passado meio ano dos factos!
Vinte cinco mil ducados
Eis ao que foi condenado!

E o crime até compensa
A quem vai tendo dinheiro!
O tribunal teve-o por ordeiro
E só o multou por sentença!

Se fosse o cidadão comum
A interpor-se à justiça!
E nisso visando um polícia
Quanto lhe caberia em jejum?

Não se metam com a Instituição
Qu’é bem maior qu’o país
E nisso a sentença condiz
Com esta justiça de mão!

Quinhentos euros pr’o polícia
Por avaliação corporal
O grosso vai pr’acção social
Como exemplo de perícia!

E isto pr’a quem tem milhões
Só se ri da reincidência
Nessa sua maior apetência
Suspensa nas suas acções!

Depois já pode voltar
Passado seis meses do pleito
A entrar de peito feito
Como faz questão de s’armar!

E com esta justiça que temos
Sendo-se da instituição
Quem não usaria da mão
Nessa sua “razão”, ao menos?

É qu’o chiclas tem-nas largas
Sabe que nada lh’acontece
Por isso tanto se mete
Em campo, nessas “entradas”!

E neste país o grande exemplo
É transmitido em horário nobre
Nesse registo tão pobre
Perpetuado p’lo tempo!

Pois ainda sai como herói
Quem obstruiu a justiça!
Ond’a sanção casuísta
Perdoa o estilo cow-boy!

E nesta maior impunidade
Como povo podemos saber
Que qualquer sujeito com poder
Sabe-se em maior “liberdade”!

É esta a justiça cega
Que se decalca dos códigos?
Desses artigos tão lógicos
À espera qu’algo aconteça?

A lei é geral e abstracta
E aplica-se de modo objectivo
A qualquer sujeito passivo
Nessa previsão exacta!?

Mas o que vemos na prática
É a especial “qualidade”
Do autor, não d’autoridade!
Ou antes, do mestre da táctica!

Por isso a notícia é boa
E adequa-se ao país que somos!
E nesta justiça, os tomos
Não s’aplicam a “Lisboa”!

Uma saga interminável...
Uma saga interminável…

O herói improvável

Quand’a turba abandonava
Aquele barco à deriva
Com tod’a equipa por esquiva
Numa fuga já preparada

Eis que cheg’o baluarte
Nesse exemplo assumido
No “pater mortis” sofrido
Assumind’o pleno combate!

De responsabilidade acrescida
Com a braçadeira no braço
Junto do fumo-negro d’enlaço
Grit’a ferocidade da vida!

E nessa equipa já derrotada
Ladeando um jovem incerto
Por cujo peito a descoberto
É alvo duma salva cerrada!…

Grit’a sua coragem do fundo
Numa canção africana!
De cuja energia emana
Esse ressurgir moribundo…

E como exemplo é seguido
Na sua face de guerreiro!
Cujo rosto negro, trigueiro
S’envolve na luta, esquecido…

Da sua desgraça de filho
Que vendo um pai partir
E no momento, a seguir
Assumir a vida por trilho!

E onde não se julgava
Ali existir mais qu’um guerreiro
Forte, audaz e companheiro!
Mais qu’um líder qu’ali estava!?

Sem pretensões arrogantes
Ou declarações d’intenções
Mostrando em actos, acções
A condição dos gigantes!

Não essa mostra vendida
Revelad’a cada jornada
Preparando a sua escapada
Numa ode à despedida!

E vind’o exemplo de fora
No maior amor ao clube!
Essa esperança m’acude
Num sentimento que chora!

Que por despontar o heróico
Em mais uma batalha renhida
Assim s’imortaliza na vida
Tod’o homem com este tónico!

E na maior improbabilidade
Da origem desse acto
O mito cresce no facto
Transcend’a humanidade!

E nisso um africano subiu
À galeria dos eleitos!
Por sua obra e feitos
Que neste palco se viu!

Mangala, é pois, o seu nome!
Onomatopaico africano!
Poderoso rosto humano!
Que por “deificado” se tome!

Man-ga-la!!!
Man-ga-la!!!