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Monthly Archives: Maio 2014

Mágico

Recordo-me do seu toque
Nessa técnica dividida
Entr’o drible e a corrida
E nesse passe: o berloque!

Tal qual a jóia da coroa
A peça mais cintilante!
Outrora o comandante
Duma equipa tod’a boa!

Que tinha no meio a virtude
Nesse jogo a dois pés!
Em tantas vitórias – olés!
Na arte e na atitude!

E levando tud’a eito
Nessa sua força e tónico
Qu’o dig’o Celtic, o Mónaco!
Vergados ao seu efeito!?

Depois levou a mestria
À Catalunha, a Espanha
E logo à Grã-Bretanha
Pr’a seu gáudio, alegria!

Perdemos nós esse toque
Vislumbrado por Alverca
Nesse seu toque de letra
Mas sem valor ou dote!

E resgatado dessa órbita
O aprendiz revelou-se mestre!
Deco, o “extra-terrestre”
Tinh’a magia incógnita!

E logo no Porto brilhou
No seu toque pristino!
Qu’a sua cara de menino
A muitos decerto, espantou!

E feito mestre didáctico
De recorte internacional
Nunca esqueceu Portugal
O seu país emblemático!

E hoje regress’o mito
Ao seu clube d’origem
Pr’a essa maior homenagem:
O homem tornado Mágico!

Mágico
Mágico!

Liga…Europa!

E em essa vitória
Em terra irlandesa
Com final Portuguesa
Não conta pr’a história?

Fizemos um Poker
Ganhamos as quatro!
Supertaça, Campeonato
Essa Taça e Liga Europa!

Bem sei que não é relevante
Porque não há Taça da Liga
E sem essa Taça muito antiga
Nada que venças, é sonante!

Pois só os “tripletes” da Luz
Contam pr’a ser fazer história
E sem a Europa, é a Glória
Que esta vitória traduz!

Por isso se ouvem foguetes
Nessa festa no Marquês!
E não há outro português
Que tenha por si, “tripletes”!?

Só o benfica açambarca
Tod’os os troféus numa época!
Menos essa Liga…Europa
Que nem é desta comarca!

Por isso a época é plena
E a história já está escrita!
Tanta conquista, benfica
E na Europa, a mesma cena?

Eu sei que te sentes completo
E qu’exultas nessas taças!
Mas vend’o Porto, caraças
Nessa Europa repleto!?

Tens um sentimento vazio
Pois sabes que ali a norte
Mesmo perdendo, em má sorte
Nessa Europa é um poderio!

Pois lá venceu várias taças
Desd’a égide d’Abril
C’o teu sentimento é febril
Nessas vitórias que traças!

Pois nada te sabe a vitória
Sem o gosto europeu!
E estas conquistas, sei eu
Não te põem em euforia…

Por isso apontas à história
Pr’a reforçar a convicção
Do estatuto de campeão
Nessa espécie d’oratória!

E a comunicação social
Qu’exultando a batalha!?
Contr’o Rio Ave, que falha…
Num triz, a taça de Portugal!?

E tudo serv’ao Regime
Nesse estádio da época
E a tragédia, tão cerca…
Por essa causa, é crime?

Um estádio velho, caduco
Que serve apenas pr’a isto!?
Nesse reviver, bem insisto!
O Estado Novo, em luto?

E nist’a Europa como lufada
Do qu’é vencer-se em excelência!
Sem a maledicência
Propagandeada!

E pode haver quem diga
Que ganharam tudo!?
Qu’eu sei que lá no fundo….
Vos falta, na Europa…a Liga!

Poker
Poker

Régio Rio Ave!

Sou do Rio Ave!
Desde pequenino
Aind’a era menino
Hoje sou esta “trave”!…

E crescido que estou
Também sei apostar
Que quem vai ganhar
É quem menos ganhou!

Que depois de Turim
Já nada satisfaz…
Ainda qu’o eterno loquaz
Diga sempre que sim!

Que estão c’o moral
E cheios de raça
Pr’a vencerem a taça
De Portugal!

Como s’a outra equipa
O meu eterno Rio Ave!
Não jogasse o que sabe
E vencesse a bendita!

E sou do Rio Ave
Da bela Vila do Conde
Pois ainda que longe
Não me é um enclave!

Pois tem no poeta
O meu vínculo egrégio!
O eterno José Régio
Das palavras, profeta!

E o seu Cântico Negro
Farol da minha vida
Na chegada e partida
Do qu’é ser-se íntegro!

E qu’um dia eu lá vi
Num declamar incandescente
Esse grande Presidente:
“…Sei que não vou por aí!”

Essa era a sua Glória
Caminhar seus próprios passos
C’as suas ironias e cansaços…
Mas sem perder a trajectória!

E só posso ser do Rio Ave!
Esse clube já condenado
Por este país encarnado
Tomado por mero entrave!

Tragam por isso a Taça
E festejem na marginal!
Não no Marquês de Pombal
Símbolo de crime e trapaça!

E junto à casa do poeta
Meditem nessas palavras
Premonitórias e sábias
De quem morre e desperta!

E nesse caminho, por fim
Não saber onde se vai
Não saber por onde se vai…
É saber que não se vai por aí!

Força Rio Ave!

Força Rio Ave!

For’o Árbitro!

For’o Árbitro! For’o Árbitro!
Grit’o clube do youtube
Ai, de quem nos acude!?
Foi o alemão, um larápio!

Só perdemos por falácia
Cometida pelo Beto!
Guardião de meio metro (que)
Deu dois passos d’eficácia!

E os penaltis roubados?
Três na segunda parte!
Que se fosse c’o Duarte
Eram quatro, os marcados!!

Send’o árbitro alemão
Só podia dar bruxedo!
S’o Luisão lhes mete medo
Desde aqueloutro encontrão!

Dado de forma amistosa
Qu’o Luisão só queria
Dizer qu’o Javi Garcia
S’afeiçoar’à vista grossa!?

E não bastav’a maldição
Do Judeu de Budapeste
E s’ainda nos calha este
Para apitar o campeão?

Fomos roubados em Turim
E de má sorte em Amesterdão
E tudo nos serve a justificação
Nas capas do nosso pasquim!

Que condoendo-se da dor
Classificou o Beto d’herói!
Eu sei onde lhes dói
Em tanta fraqueza e amor!

O que vale é que Domingo
Já voltamos a casa!
No jamor será a paga…
C’o Xistra é outro Querido!

Ahahahahahahahhaah!!!...
Ahahahahahahahhaah!!!…

Maldição!

Um tremor
Um prognóstico!
Um terror psicológico
Que nos enleia em suor

Um vatícinio antigo
Uma profecia húngara
Um batuque de conga
Dum voodoo inimigo!

Uma jura
Um feitiço!
Um boneco postiço
Trespassado em costura!

Uma reza
A macumba!
Que se faz numa tumba
Pr’a qu’o mal aconteça!

Um bico d’águia
Um sapo, uma rã
Alecrim, hortelã
E uma frase de magia:

Cem anos d’azar
Sobrenatural!
Qu’em Portugal
Manda Salazar!

E só lá por fora
As vão perder!
“Lisbo’a arder”
É a metáfora!

Apesar da estátua
No estádio da luz
Isso não produz
A magia branca!

Que possa quebrar
A magia negra
Que Guttman emprega
No mesmo lugar!

Falta o pagamento
Desse vil metal
C’os juros do mal
Sobr’o juramento!

Por isso a dívida
Cobra-se na eternidade
Numa imensa saudade
Dos tempos da boa vida!

Onde bastava pedir
Os melhores jogadores
Roubar os treinadores
Sem ter que s’investir!

E daí a cobrança
Agora que tudo s’investe
Num orçamento que veste
O traje de tod’a esperança!

Pois tudo se gasta
Em nome de novo feitiço
Onde bastará um Carriço
Por lhes lembrar que já basta?

Por isso esta maldição
É boa, é de salutar
Por forma a compensar
Do passado, a “tradição”!

Ops...
Ops…

Épico!

Tod’um percurso épico
Do clube da capital!
E na capa desse “jornal”
O herói chama-se Beto!

Um pequeno David
Qu’ostentand’a sua funda
Sozinho contr’a “rotunda”
Tomou Benfica e Carnide!

E o gigante da capital
Campeão dos “Filisteus”
Na luta contr’os “Judeus”
Enfrentou-o em luta letal

E tendo-se por favorito
Na sua maior corpulência
E de dois anos d’experiência
Em finais d’alto gabarito

Avançou sobr’o “anão”
De peso quase irrelevante
E num grito tonitruante
Proclamava-se Campeão!

E nisto dizia “trinta-e-três”
Para ostentar o currículo
De vitórias com’o grego Pirro
Como se fôra grande palmarés!?

Se não se soubesse a história
Dos tempos dos Inocêncios
Esses dignatários propensos
A tod’a vantagem compulsória

Ainda ficava impressionado
O nosso “pequeno” guardião
Que fazendo uso da sua mão
Deixou o gigante derribado!

O gigante tinha pés-de-barro
Não passava dum falso ídolo
E nessa soberba temido:
Campeão dos tempos do fado!

E que fadado nessa vida
De campeão do velho regime
Em oito finais, o mesmo filme:
A derrota era merecida!

E o nosso pequeno guerreiro
Moldado nas batalhas a norte
Da pequenez tornou-se forte
Por Espanha se fez pioneiro!

Mas gozado na sua estatura
Pouco mais qu’um e oitenta
Jesus outra frase inventa:
Um guardião precisa d’altura!

Mas o “pequeno” fez-se erecto
Chegando mais longe, mais alto
Parando penaltis num salto
E a Taça nas luvas do Beto!

Gigante!

Gigante!

VENCER!!!

E d’hoje o que espero?
Uma vitória expressiva
Pela honra, p’la vida
Para apagar este erro!

Promovend’o visitante
Ao título de campeão
Qu’o festejou a nação
Num travo esfusiante

E nisto é hora d’honrar
Estes novos campeões
Com garra (mas sem lesões!)
E uma goleada a’dornar!

Só para os incentivar
Pr’a essa final europeia
E que na quarta, a tareia
Deixe essa marca no ar

E depois dessa derrota
Que muito desejo, por certo
Eu, Português “incorrecto”
Seja acusado, qu’importa?

Sou obrigad’a gostar
Dum clube sem pudor
Qu’aos outros apont’o pior
Como sua forma d’estar?

Que insist’a falar de fruta
Send’o clube do regime?
No qu’esse legado define
Como prova de conduta!?

E send’o o clube da “nação”
Projectado em seis milhões
Sejam essas milhões de razões
Que me faz dizer que Não!?

Tenho qu’estar na populaça
Ser do clube do Mexia?
E festejar com alegria
Bem no centro dessa praça?

Tenh’a minha individualidade
E nisso pude escolher
O clube que vivi’a perder
Desd’a minha tenra idade!

Dizem que sou bairrista
Que sou mero provinciano
Se nasci metropolitano
Em maternidade à vista?

Foi em Lisboa, no centro
Sou filho da capital
E c’o este orgulho natural
Tenh’a cidade bem dentro!

Mas por opção filosófica
Por doutrinação ascendente
O meu clube é diferente
Por convicção e por ética!

Azul-e-branco por cor
Como passado de glória
Qu’assim nos rez’a história
D’Ourique ao Bojador!

Um clube qu’ostenta
As cores pátrias
E mais numismáticas
No seu emblema!

O pendão da cidade
Invicta!
E que bem que fica
A edilidade!

Desse Porto solene
Junto e solidário
Cidade e estuário
E um clube por leme!

Por isso sou portista
E nisso tenho orgulho
E vencer sem esbulho
A “nação” benfiquista

Dá-me duplo prazer
Depois desta festa
Pois o que resta
Neste jogo a doer

É o nosso emblema
O azul-e-branco!
É vencer, portanto
Sem maior dilema!

E depois deste jogo
Que já tenham dúvidas!
Ao Guttmán, as súplicas
Antecedam o nojo!

Orgulho!
Orgulho!