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Este país não é para mim!

Não há poesia que me aguente neste final de época…

Os lampiões saíram da toca! Depois de anos a fio de frustrações, onde só os túneis e os jogos em campo neutro lhes permitiram respirar como campeões vêm, este ano, entupir-me o facebook. Ainda bem que ando disfarçado por aquelas lides, porque se me soubessem o vilão do riso fácil, não me largariam com a naftalina à porta da rede social. Já assim é um ver-se-te-avias, com constantes ligações dessa sumidade do benfiquismo de seu nome Rui Gomes da Silva, a aparecer-me no mural de notícias a toda a hora. É a ida a Aveiro como romaria, é a lesão do Sílvio e a sua homenagem à vitória no jogo… Já não bastava o Mexia pôr toda a gente, de Arouca, a mexer para Aveiro, como ainda incitou esta vaga de lampionagem a infestar (ainda mais) a ria de Aveiro!

E que festa (antecipada) que se vive no país. Respira-se uma aragem nova no futebol nacional! Já não há problemas de árbitros (são todos uns queridos), a corrupção está erradicada e, até o sporting vive no lugar que merece: o primeiro dos últimos!

Está reconstruído um novo país sob a égide desta grande vitória do benfica. A homenagem ao rei está feita, por este país de vassalos. Depois do institucional cortejo fúnebre, quero ver se depois de campeões irão prestar-lhe nova homenagem, desta feita, em trio eléctrico. Ainda me lembro das imagens do primeiro ano do benfica campeão com o bom-Jesus ao leme, e com o Simão na primeira linha a invectivar o Sr. Pinto da Costa… (Depois ainda se admiram dos cânticos que recorrentemente, se lhes presta em homenagem no Dragão).

Por enquanto Saramago, Fernando Pessoa, Eça de Queirós, e outros jogadores de segunda, ficam às portas do panteão, mas o Rei Eusébio já tem o descanso solene assegurado. Se até na TAP se baptizou primeiro um avião com nome de Eusébio, e só agora (!?), se concebe o de Saramago para a vaga de aviões que há-de vir… Está tudo dito!

É o país dos seis milhões e contra isso…batatas! Fazer o quê? Levar com eles, viver nesta angústia de país de faz-de-conta, onde políticos de pacotilha, feitos empresários à pressão dizem, sem pudor, que faz bem ao país, ao PIB, o benfica, a instituição, ser campeã! E sem se rirem! 🙂 (E depois eu é que faço piadas sem graça!)

Enfim, fazer o quê? Levar com eles trajados a vermelho, no rigor das romarias à antiga, numa horda de ululantes fazedores da festa! E se o caminho para Arouca era longo e sinuoso, a EDP, essa obra maior do Mexia, tratou de encurtar o caminho pela potência do monopólio, obrigando um pequeno clube, em risco de descida, fazer os últimos jogos do campeonato fora-de-portas por sua imposição, e onde numa coincidência feliz (fortemente adjudicada pelo bom do Figueiredo, esse terror da auto-estrada) o primeiro jogo ser feito contra o campeão anunciado (não vá o diabo e um qualquer Kelvin tecê-las!).

Enfim, fazer o quê? Levar com eles, que todos os dias se revelam no palco desta grande festa nacional. Todos os dias descubro mais um debaixo do mais insuspeito pedregulho! Eles que escondidos andavam, desde o mínuto noventa e dois da época passada, mostram-se agora para toda a gente os ver! Hurra estou aqui, sou este este lampião-de-vermelho! Pudera, encontrar um lampião doutra cor deve ser mais dificil do que descobrir um cachecol do F.C. Porto junto da estátua (envidraçada) do Eusébio… Deve ser por razões de segurança, com certeza, não vá algum moinante marrar contra o vidro, só porque na vaga de vermelho se descobre um travo de azul.

Enfim, é aguentar. É deixar que passe esta vaga: a gritaria, as buzinadelas, os posts do Rui Gomes da Silva, o cheiro a naftalina no ar, a raiva (in)contida durante anos e anos a fio…

E é deixá-los festejar. Apesar de tudo, de toda a roubalheira em jogos-chave, mereceram no grosso da nossa incompetência. Fomos fracos, desleixados, incompetentes, néscios até! Se até os de Carvalho, os Proenças, os Capelas, os Paixões, e outros que tais nos dão baile, é porque batemos no fundo de mais um ano sabático.

Antes assim, se perdemos que seja por muitos! Que se envergonhem e levantem a cabeça, percebendo-se que neste clube nunca se pode perder a vontade de ganhar. Perdendo essa vontade, acontece-nos isto: urinam-nos em cima! Por isso temos que ter mais vontade de ganhar que todos eles juntos! Só assim conseguimos vencer tanto, e só assim podemos continuar a vencer. Sem isso, sem essa vontade inquebrantável de vencer, os chorões, os arrogantes, os panteões, as “instituições”, as bolas, os recordes, as TVI’s, as SiC’s, a pseudo-TV pública, as antenas “nacionais”, este incrustado nacional-porreirismo que nos filia há demasiado tempo, não nos deixará vencer. Só um clube guerreiro, como este Porto mostrou ser desde Pedroto e, desde a era Pinto da Costa, pode ressurgir das cinzas deste nosso enterro e, qual Fénix, voltar a vencer. Sem isso, e se tivermos a tentação de duplicarmos o laxismo deste ano, estamos e estaremos enterrados por muito tempo.

Hope not!…For God Sake!
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