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Monthly Archives: Abril 2014

O lobo e a banana

Estava o lobo na floresta
Procurando caça brava
Quando então viu que caçava
A banana como besta!
E uivando à sua lua
Solta laivos quase símios
Hu! Hu! Hu! Solt’a lingua
E esses uivos são exímios!

E comend’o lobo a banana
Faz a vez desse macaco
Um animal transacto
Do bicho em forma humana

Que vestindo pele de cordeiro
É na essência um lobo!
E no racismo tod’o um povo
É tomado por “tripeiro”!

É qu’o lobo por político
Tem cargos d’execução
Na Câmara, n’Associação!
O racista dialético!

Espelho deste país?
Ele tão miscigenado
Que um lobo almiscarado
Ria daquilo que diz?

E escrevendo esse lobo
Frases racistas por prova!
Não com’a banana que sobra
Nem faça pranto do nojo?

S’este lobo fosse ibérico
Nascido em terras do Douro
Não um lobo de tez mouro
Era extinto por colérico!

Mas send’o lobo do sul
Lobo da grande alcateia
No racismo se premeia
Pois a banana é azul!

Por falar em bananas...
Por falar em bananas…

Azia

Gosto das lições de moral
Que vou lendo aqui e ali
S’até m’ofereçem Rennie
No meu próprio mural!?

E eu entend’a vontade
De se darem à vista!
Ele há estomago que resista
À prova da liberdade?

E s’antes comemoravam
As derrotas do Porto!
Por seu desejo e escopo
O que desejavam?

Vencer um ano!
Pr’a mostrar no mural
A pastilha estomacal
Como grande plano!

E eles especialistas
No receituário!
Naquele plenário
Lá deram nas vistas!

Toma Rennie!
Escreve-m’o lampião
N’azia, indigestão
Que tive, por fim!

Só por perder
Neste ano, o ceptro
E expor-me, por certo
A esse mau-vencer!

Que tudo abarca
Neste pequeno país
Como selo e cariz
De povo e raça!

A inveja, mesquinhez
Que nos caracteriza
Tudo sintetiza:
No ser Português!

Que vend’os outros
Perdendo de pé!
Na”fruta” e “café”
Nos tomam por tolos!

E assim lá s’arrimam
No meu facebook
Com pompa e look
Campeões, nos ensinam?

Que são os gigantes
O clube glorioso!
No gesto faccioso
Não mudam, pedantes!

E nisto’a azia
Queimam-m’a tripa!
Acidez maldita
Vivida este dia!

Que seja este ano
Senão eu emigro!
Não aguent’o epílogo
Neste corpo decano!

Eles não se calam
Que são gloriosos!
E escrevem, gulosos
Que pr’o ano ganham!?

Eu aguento a dívida
E pag’o a troika!
Mas não esta lógica
Do clube “fifica”!

Se voltarmos ao tempo
Da outra “senhora”
Eu vou-me embora
Não fico cá dentro!

Pois, este país
De benficas e Mexias
É um ver se t’avias!
Ensina-nos o Quiz!

E ganhand’o vermelho
Por razão e sistema!
Cauciona-m’o lema
Do país donde venho!

Por isso emigro
A bem desta úlcera
Que nisto s’atura
O país se cá fico!

E podem vencer
Campeonatos a eito
Que longe do peito
Do coração a bater

Já não sofro!
Por esse país
Que do Porto fiz
O símbolo de topo!

E podem arrebatar
Esse meu mural
O meu país natural!
Qu’eu vou emigrar!

E sendo estrangeiro
Serei do Porto!
O símbolo do norte
E de tod’o guerreiro!

E estando lá fora
Como regra de vida
Portugal? De fugida…
No país d’outrora!

máfia

Fogo que arde sem se ver

Por muitos jogos
Que tenho visto
Nunca vi isto!
E nesses diálogos
Um sentimento:
Vergonha!
E o homem sonha
Por outro momento…

Algo melhor
Que seja pouco…
A honra? Louco!
A garra, o suor?
E nist’o Dragão
Ficou amorfo
Sem garbo, rosto
Ou pulsação?

E vegetamos
Nesse jogo inerte
Assumind’o frete
E nisto tropeçamos!
E num estádio nobre
Dum público fiel
Só nos sobra o fel
Na derrota pobre!

E nada se passa
É a resignação!
E o campeão
Doutra era fausta?
Jaz nesse relvado
Entregu’ao destino
Sem valor ou tino
No simbolo vergado!

E ouço os cânticos
Desses vencedores
Outrora perdedores…
Em acordes messiânicos
E o homem que vergara
Nesse mesmo relvado
Tem-se por vingado
Em  época tão rara!

E o qu’aí virá
Depois deste desastre?
Será o quanto baste
Ou mais ainda haverá?
Qu’eu sinto desgoverno
Numa SAD autista
Que noutra entrevista
Nos propunh’o pleno!

Por se propor renovar
C’o técnico perdedor
Mais um ano, que dor!
E nisto continuar
Uma equipa triste
Desorganizada!
Sem raça, sem nada
Que mal se visse!

É a resignação
Perante o desastre!
Nos rostos, na face
Do garboso dragão!
Como se perder
Contr’o benfica
Fosse na desportiva!
Sem o estádio “arder”!?

E saí desvairado
Sem ver os penaltis!
E nesses desempates
Já estava derrotado!
Não por perder
Mas por sentir!
Qu’ali estava assistir
Ao fim dum poder…

Numa passagem
De testemunho
Por nosso próprio punho
Na réstia de vassalagem!
Qu’em criança assisti
Não por resignação
Mas por condição!
A que resisti!

E por ser Portista
Nascido em Lisboa
Dói-me mais qu’a loa
De tod’a conquista
Qu’o clube do regime
Se passeie no gozo
Por nosso repouso
Como coisa firme!

Mas s’assim ficamos
Deixo de m’identificar
Com este lugar
Que sonho por anos!
Um clube diferente
Onde perder se sente
Não como tod’a gente
Mas de modo premente!

E isso permita
Voltar a lutar!
Contra este hibernar
Que tanto nos limita!
E haja um líder
De total assomo!
Qu’alimente o sonho
E nos faça “arder”!

Que chama?
Que chama?

Bitaites

Foi um dia triste
O da Liberdade
Pois jaz a saudade
Na sua frase chiste

Que bem entoava
Em tod’o discurso
O Professor patusco
Cada vez que falava!

Pois conhecedor
E de recursos técnicos
Granjeava méritos
Como orador!

E bem cativando
P’la sua expressão:
Um bonacheirão
No amor leccionando!

E no seu portismo
Prodigalizava alvitres
O Professor “Bitaites”
No maior heroísmo!

É mais um Hernâni
Par’a nossa história!
Que guard’a memória
Da bondade unânime!

Pois era apreciado
Em tod’as frentes
Por homens diferentes:
“Inimigo” ou aliado!

E nessa bondade
Jorrava palavras
Em prosas tão raras
E cordialidade!

E morre-nos o mundo
Em tantos heróis
Que se vão nos sóis
Dum negro profundo…

Lembra-se o seu rosto
Em tantos palpites
O Professor “Bitaites”…
Sempre bem-disposto!

Obrigado e até sempre, Professor!
Obrigado e até sempre, Professor!

Liberdade

Quarenta anos após
Celebra-s’a Liberdade!
E neste di’a claridade
Dissipa os últimos pós

E o céu já clareia
Depois da negritude
Ond’a poeira em magnitude
Encheu o ar em cadeia!

Nesses anos de silêncio
Ond’a derrota era certa
Há uma porta entreaberta
Por um novo movimento!

E o regime é derrubado
P’la coragem de poucos
Que nisto avançam, loucos!?
Contr’o brigadeiro e o blindado!

E o velho sistema caduco
É substituído p’la revolução!
E a democracia é a razão
Pr’a outro sistema e instituto!

E a democracia provém
Como desejo da Nação!
E tudo muda, na canção
Que nos projectou mais além!

E as instituições do passado
Definham nos novos tempos
Não são protegidas, nos termos
Dessa política do Estado (novo)!

E outras surgem por mérito
Manietadas por décadas!
Superam provas e metas…
Ressentem o tempo pretérito!

Qu’as mentalidades são vivas
Depois de mort’a política!
Que nist’o rancor e a crítica
São programas e alternativas!

E tudo é feito no burgo
Pr’a se desmistificar a vitória
Da liberdade e da glória
Noutra cidade e clube!

Qu’aí não cheg’o mérito
Que tudo é torpe e corrupto!
Não há ética nem escrúpulo…
Ofende-se o tempo pretérito!

E novas vagas de “justiça”
Pretendem (des)classificar o escudo
Qu’o clube ostenta c’o orgulho
Só por inveja e cobiça!

Nos tempos aureos de Salazar
Seria cert’a condenação!
O Porto ser campeão?
Só por sorte ou azar!

Mas a liberdade dissipa
Este pó que acumulado!
E o céu brilha azulado
Por mais que se grite benfica!

E podem fazer a cosmética
Desses tempos da Legião
Que na liberdade, o Dragão
É o maior símbolo e poética!

Liberdade!!!
Liberdade!!!

Esperança

E o que sucede
Depois deste jogo
Nada de novo!
O qu’o precede:

Uma nova equipa
Com jovens em curso
Perdidos sem Lucho
No qu’a experiência obriga!

E pode formar-se
Um grande conjunto
Com tacto e talento
Tudo pode ligar-se!

E há jogadores
Que só podem crescer
Nesta época aprender
Que não são os maiores!?

Só com esforço e’ntrega
Se pode criar!
E no futuro equipar
Esse símbolo por regra!

Vejo potencial
Em jogadores como Reyes
No Josué, que com leis
Pode dar outro igual!

Vejo um oito no Herrera
Com potência e fôlego
Que perdendo por trôpego
Bem limado, prospera!

E tenho esperanças
Qu’o Carlos Eduardo
Tenh’o futebol perfumado
Que lho vi, sem ânsias!

E os dois laterais
Só precisam de treino!
Dum líder de pleno
Qu’os não torne banais!

Temos um gigante
Na nossa baliza!
O que prodigaliza
Pr’a equipa o bastante!

Temos ponta-de-lança
E substituto à altura!
O Ghillas augura
Tod’a a minha confiança!

Se perdermos o Fernando
Baqueamos no trinco!
E o Defour nã’o desminto
Não é o diabo nem santo!

Por isso precisamos
D’alguma experiência
E do Jackson, coerência!
E que ficando, lucramos!

Pois é atentar
Na experiência d’outros
Que não cedendo, por lucros
Lá ficaram a lucrar!

É claro que não temos
No nosso plantel
Um Luisão, no papel
De capitão, ao menos…

Ou um Cardoso
Que não sendo certo
Tem-se por “correcto”
E largos anos de uso!

E há mais exemplos
De jogadores com tempo:
O Gaitán, o Enzo…
E de recursos amplos!

E nós c’o Mangala
Como capitão!
O qu’espelh’a razão
Do qu’ainda nos falha!

Por isso há deter
Alguma paciência
Pr’a deixar carência
E a equipa crescer!

O que lá nos falta
É a atitude!
Alguém qu’os molde
Como pêras em calda!

E lhes adocique
Esse gosto amargo
E da derrota, o trago
Da vitória fique!

Por isso acredito
Qu’este interregno
Não foi o inferno
Mas simples castigo!

Pois foi rude o golpe
De perdermos a fio
Jogadores com brio
Por troca c’o dote!

E nisto ainda vencemos
Os outros em casa!
Sem dúvidas da raça
E com golos a menos…

Há que reformular!
Pois nele há presença
De talento e esperança…
Já só falta acabar!…

Mansos!

Já estava escrito
Qu’esta meia final
Da Taça de Portugal
Tinha tempo finito!

Só se joga oitenta
Mínutos de jogo!
Qu’a vitória do povo
Justifica e assenta!

E mesm’o artista
Qu’o apito moldou
O pénalti marcou!!
Sem erro de vista?

E basta escorregar
Qualquer jogador!
Que na área, o dador
Vai de certeza marcar!

Se não trajar d’azul
Qu’aí fica cego
E num semblante d’ego
Nada marca em prol!

E tudo s’invade
Para se perder o tempo
E as expulsões são vento
Pr’a mesma finalidade!

E nisto somos mansos
Pois nada vimos no campo
Que fosse agouro ou espanto
Nesse respeito por tantos!

Nada se passou d’anormal
Seja no apito ou táctica
Que contra dez, a prática
Fosse exactamente igual?

Somos amorfos, covardes
Perdemos a chama, a aura!
E a coragem, coisa rara
Que nos fez Andrades?

Que nada viu o Folha
Que nada viu o Castro!?
Mas qu’outro emplastro
Esta segunda escolha!

Onde está o sentido
Espírito do guerreiro?
Que não send’o primeiro
Não se tem por vencido?

Caímos no marasmo
Da presidência eterna!
E com’uma chaga enferma
Só nos dá pr’o pasmo!?

Fiquei furibundo
Porque fomos mansos!
E rodeado por tantos
Vi-me rubicundo!

E então despedi-me
O melhor que pude!
Pareci-lhes rude…
Neste triste filme!

Não conheç’o Porto
Que nem raiva tem!
E o maior desdém
É trajar-se a morto!

Prefiro morrer
Como tod’as árvores
De pé, como traves!
Do que fenecer…

Isto é o que sinto
Depois da derrota
Não pela batota
Que já sabia d’instinto!

É pela atitude
Desses outros tantos
De que somos mansos!?
E isso é uma virtude…