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Logo que passe a monção…

Eram exageradas
As notícias dessa morte!
E o que nos calhou em sorte
Nessas páginas publicadas?

Qu’a salvação nos chegou
Na perna dum só jogador!
Salvando el’o treinador
Nesse empate que buscou!

Os tempos são turbulentos
Pelas costas da navegação
Onde se vislumbr’o campeão
No favorecimento dos ventos!

E como qu’escondidos
Desse passado inglório
O discurso é meritório!
Na brevidade, contidos…

Mas os panfletários urgem
Nos anúncios d’obras d’arte
Como um desejo-baluarte
Qu’em notícias sem confundem!

Por isso bem naveguemos
Ao nosso porto-destino
Com um propósito pristino
Na ondulação que sofremos!

Pois oscilámos nas vagas
D’encontro ao abismo-céu
Donde s’abrira esse breu
Como ondas enlutadas!

Mas mortos de cansaço
Nesses corpos ainda vivos
Navegámos, destemidos
Contr’o destino opiáceo!

Pois libertos do naufrágio
Aportámos nessa ilha
No qu’a monção-armadilha
Nos destinou por contágio…

E como que meio tolhidos
Nesse destino insólito
Tomámos apenas do ópio
A razão de estarmos vivos

Como na canção do Veloso
Afeiçoámo-nos ao vício
E todo e qualquer resquício
Desse Porto era horroroso!

Mas despertos num turbilhão
Por uma horda de crentes!
Nós, tornados indigentes
Assomámo-nos ao bastião!

E conscientes dessa nau
Que navegava à deriva
O Capitão deu guarida
A esse mouro do vau!

Que tornado nosso guia
Nos conduziu a novo Porto
Como recruta-piloto
Navegando dia-após-dia!

E crescendo em importância
Nessas hostes lusitanas
Teve Ghillas, as taprobanas
Como prova da sua ânsia!

E nada os pode deter
A essa nau de tantos embates
Que contra lutas e artes!
Se viu forçad’a combater!

E no desenlace da viagem
Desd’a Indía até ao Reno
O comandante, deu pleno
Plano à abordagem!

Ao seu capitão-de-fragata
Antes tão desacreditado!
Por não se ter por afortunado
Nessa sua primeira etapa!

Mas assim que orientado
Por esse piloto-mouro
Eis, quando senão o tesouro!
No final do Palatinado!?

E a história muda de centro
Nos pormenores qu’a moldam
Os homens que nela sonham
Com a força que vem de dentro!

E nessa raça e querer
Se fazem impérios, nações!
Se moldam os campeões
Desse novo-mundo e poder!

Por isso podem escrever
Nos anais que não morremos!
Ainda navegamos, ao menos
No que isso quer dizer!

E podem pensar duas vezes
Antes d’anunciar o veredicto!
Qu’o campeonato está escrito
É só questão d’alguns meses!

Pois s’ainda temiam
Qualquer réstia da nossa esp’rança
Temos a prova, na lança
Qu’em África ainda resistiam!

Por isso deitem foguetes
E façam a festa do título!
Que logo que passe este ciclo
Ainda nos vêem os dentes!

E no terror desse tempo
Outrora então revivido
Jesus já era nascido…
E ajoelhou lá no templo!

Por isso escrevam os feitos
D’outros heróis em acção
Que logo que pass’a monção…
Navegarem’os estreitos!

E entraremos no Porto
C’a nau bem segura
Que p’la honra, se jura:
Saberão notícias do…”morto”!

Crença!
Crença!
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