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Monthly Archives: Novembro 2013

Saudade

Coimbra é uma lição
Do logro e frustração
A quem por lá estudar
Sem os exames preparar…

E o mister do Fonseca
Tomando-se por esteta
Quis brilhar na Universidade
Sem preparos de verdade

E tomando em mão
Os tomos do campeão
Deslumbrou-se no estudo
Sem práctica, contudo…

É qu’a teoria
Qu’em Paços lá se lia
Não tem equivalência
Ao Porto, em sapiência!

E querendo-se doutor
Sem esforço e sem labor
Mostrou-se convencido
Por outros, por sabido!

Julgavam que pior
Do qu’aquele outro doutor
Não vinha o Fonseca
Destruir aind’o que resta…

Mas o resultado é mau
Descemos mais um degrau!
E o Vitó até é genial
Perto deste colegial!

E s’é só pr’a ganhar
Sem mérito, sem esgar
Que venha o Vitinho
No seu jogo poucochinho!

Ao menos bem sabemos
No qu’estudar, seremos
Nunca um catedrático
Mas não um burro táctico!

E agora o que temos?
Sem nem estudar sabemos?
O choro no Mondego
No matar do borrego!

Há 43 anos!
Que por lá ganhamos!
Até ao dia d’hoje…
O que na derrota se colhe?

O fim desta grande era
Por outra atmosfera?
Pr’a renovar a lição
Do Porto campeão!?

Época mal estruturada
A equipa desiquilibrada…
Há que retirar ilações
Destas quatro lições!

Três empates, uma derrota
Que caminho? A bancarrota?
Não, parar e reflectir
É hora de divergir!

Porventura a liderança
Faustosa, sem cobrança…
Passará o testemunho
Para um outro rumo!?

Nunca tinha visto tal Porto
A definhar-se por morto
Num futebol sem talento
Sem rasgo, sem outro alento!?

E mortificar-se na sorte
Sacrificando-se à morte
Numa tristeza fatal…
Onde tudo pode correr mal!

E o estudante chumbado
Neste jogo, reprovado!
Deixará a faculdade
Em sua tenra idade?

Ou insistirá em estudar
Casmurro em ficar?
Por beneplácito papal
O Fonseca não sai a mal!…

Portanto o qu’esperar
Em que Porto ficar?
No estudo filosófico
Ou n’arrojo metódico?

E nesta incerteza
O realce, a justeza!
A vitória, sem polémica
Da histórica Académica!

Coimbra é uma lição
De honra e tradição
Nessa prova de verdade
Ond’o Porto, é a palavra…saudade!

Briosa!

Briosa

Crónica de Bruxelas

A vitória aos noventa!
O chouriço de Bruxelas
Esses golos, bagatelas…
A bola que sempre entra!

Só os nossos é que ficam
À distância duma nesga
Como’a Rua da Bestega
Ond’as praças se confinam!

E tanto valendo a vitória
Como o nosso triste empate
Todos os sinos a rebate
Tocam que se fez história!

Sempre ganharam aos Belgas
Pela primeira vez em Bruxelas
Que odes! Que coisas belas!
Se cantaram nessas vielas!

O Jesus afinal está salvo
O homem ressuscitou!
S’até o Grego se finou
No último minuto, no alvo!?

Mas dependendo de terceiros
Para seguirem em frente
Como se explic’a tanta gente
A euforia dos batoteiros?

Tenham calma, pois então
A vaca não dura sempre!
E o azar, tão recorrente
Mudará, em dia não!

E o Paulo só pode subir
Se não quiser descer
E nisso irá aprender
O caminho que pode vir….

E em situações idênticas
Já sabemos o qu’aí vai
A glória em todos s’esvai
Sem as vitórias autênticas!

Não aquelas de permeio
Que não conferem troféus
E só caucionam os réus
Que nesse final, eu já creio!

Qu’os deixem fazer a festa
Mandar foguetes e vivas!
Que soltem o bardo e cantigas
Qu’a contabilidade é esta:

Vão à Liga Europa, por certo
Apesar de “injustiçados”
Eram melhores, mais esforçados…
Só se lixaram p’lo Roberto!

E nas contas do Campeonato
É deixá-los encher o peito
Ganhando tudo-a-eito
Pr’a tudo perder c’o aparato!

E na festa da Taça
Vai o Jesus e o Cardoso
Jogar contra outro “colosso”
Perdendo com tod’a “raça”!

Deus é grande!

Deus é grande!

O hábito faz o monge

Confesso que m’esqueci
Desse tempo d’outrora
Ond’a vitória duradoura
Er’a tão simples por si…

Nesse Dragão ou nas Antas
Ganhar era natural
Numa cadência habitual
Qu’hoje m’estranho, às tantas!?

E empatar é um feito
Contr’o Austria de Viena!?
Depois da hipótese pequena…
Doutro resultado de jeito?

E apesar dessas “abébias”
Dadas pela Gazprom!
Er’o Austria , o bombom
Duma passagem com médias!?

Foste chumbado mais uma vez
E reprovado sem notas!
Um empate, duas derrotas…
Um ponto, no jogo três!?

E quando podíamos chegar
Por nossa decisão
A um jogo de galvanização!?
Acabamos a empatar!?

Sempre a táctica do “pirilau”
Quatro, três, três, sem extremos
C’o Licá, pr’a podermos
Cruzar c’uma perna-de-pau?

E o Josué como ala!?
O Alexandro como interior
Que sendo o maior armador
É essa pobreza que rala!?

É certo que não temos sorte
Mas tudo é feito em esforço
C’o uma táctica do alvoroço
Ond’o golo é coisa torpe?

Se nem um grande craque
Consegue ter bolas úteis
Porquê tantas corridas inúteis
Nessa espécie d’ataque?

É certo que desaprendemos
A montar a estratégia
Numa equipa alérgica
À solidariedade dos membros

Onde o bloco não existe
E cada corpo é estanque
Os médios sem arranque
E uma defesa de kitsh?

Uma correria infernal
Desse Fernando no meio
Onde o seu grande esteio
Joga fora de Portugal?

A maçã faz muita falta
O pêndulo do nosso jogo
Da ligação, do arrojo
Da conjunção desta malta!?

Qu’agora vestem de azul e branco
Sem envergarem a camisola
Ond’o Lucho jog’a bola
Mas num desgaste sacro-santo!?

E o nosso homem do leme
Nesse discurso bacoco
Tem-se por poeta ou louco?
Nesse seu lugar que já treme!?

Não tenho soluções
Como adepto da bola (mas)
Imaginam o que me desconsola
Ver este futebol aos repelões!?

Não sei s’o Paulo vai ter tempo
De galvanizar outra equipa
Mas esta época está perdida
Na escolha do jovem “portento”

S’até sonho c’o Vitó!
Qu’ao menos havia harmonia
Que nessa posse se sentia
Sem golos, mas c’o rocócó!

Hoje não temos nada
Nem futebol, nem resultados
Nem golos, nem rendilhados!
Só uma equipa “estoirada”!

A culpa não é do Fonseca
Mas sim dessa aposta por alto
Onde vencer é um hábito
E qualquer um vence, de letra!

Hoj’o Dragão estava às moscas
E os assobios foram transversais
Não há mais desculpas, ou sais…
Ou vences, fazendo orelhas moucas!!

Falta d'hábito!

Falta d’hábito!

Kharma

Fonseca, porque esperas?
Não vês os teus resultados
Que nesses jogos, somados
T’exigem respostas sinceras?

Um futebol sempre igual
Demasiado previsível
Num rendilhado sofrível
De resultado tão frugal

Uma equipa sem extremos
Foi-se o Kelvin e o Iturbe
Ficámos c’o medíocre
Sem desequilíbrios, ao menos?

Um Lucho sempre cansado
Que quase s’arrasta em campo
E ainda assim é o decano
O abono do nosso enfado?

Um Jackson sempre sozinho
Sem municiamento de classe
Onde somente uma obra d’arte
Nos pode valer um golinho?

Um meio campo desgarrado
Sem compensações defensivas
Ond’as adversárias investidas
Nos deixam de peito arfado?

E o que dizer da defesa
Ond’o Otamendi enterra?
Há sempre um passe qu’erra!?
Deixand’o empate em proeza!?

S’até o Nacional
Depois do grande Belenenses!?
E nós absortos, indolentes…
Nesta postura boçal?

Há que dar um murro na mesa
Ou sais ou mudas o disco!
O nosso futebol não é isto!?
Um golo e pões-te à defesa?

E bem podes queixar-te da sorte
Pois a mesma protege os audazes
E se não a mereces, que fazes?
Prometes tornar-te mais forte?

Não… Dizes que foi esse desígnio
Qu´é uma injustiça o placar
Mereceste por certo, ganhar…
E nesse discurso és um génio!

Achas que com palavras te safas?
Ao ver o chiclas da bancada
Somar aos dois por jornada
E que sem resultados, disfarças?

O tetra é o nosso destino!
Que mesmo c’o Vitinho no banco
Contigo a seguir, que desplante!
Conseguimos vencer de fininho!?

O que mais precisamos provar
Que com amostras de treinador
Somos o maior benfeitor
Do futebol, sempre a “renovar”!…

Pois se vencemos com estes
Imaginem com treinadores a sério!?
Até onde iria o nosso critério
Um espanto, até para os chineses!

Qu’é pr’a lá que vamos exportar
O Fonseca depois de ser campeão
Um feito, daqui até ao Butão!
Que Buda nos irá ofertar!

Pois só por oferta lá vamos subir
Ao monte da nossa conquista
Qu’o feito o ponha longe da vista
E o mundo continue a evoluir…

E nesse seu desiderato
Faça mais um nível de treinador
Um campeão! E que lev’o tradutor!
Nem que seja pr’o sultanato!

E que paremos com os ensaios
Provado está que ganhamos
Com qualquer um, convenhamos…
Só falta treinar com um malaio!?

Que kharma este do vencedor
Que nesta evolução da terra
O Porto se fragilize em perda
Pr’a dar oportunidade a outro vencedor!?

E nem assim lá chegam os Mouros
Que depois do Vitó, ou o Fonseca
Nem c’o uma peregrinação a Meca!
Se vejam campeões duradouros?…

Pois...

Pois…

Pepsi

Nunca apreciei a Pepsi
Mas por causa da campanha
Vejo nisso prova tamanha
Do grande valor do Messi

Antes fosse Argentino!
Pois só nisto nos insurgimos
Contr’a Pepsi! Pequeninos…
Por um anúncio cretino!

Cada um toma o seu
E defende a sua dama
Se do anúncio se reclama
Condenamos quem bebeu?

Eu vou continuar a beber
E não é que que goste muito!
Só pr’a provar o fortuito
De se poder perder ou vencer!

E vencendo o que fazemos?
Uma campanha contr’a Pepsi!
Por gostar mais do Messi?
Um Nunca p’lo que bebemos?

São estas coisas que nos movem
Nos projectos pan-nacionalistas!
Onde as bebidas “imperialistas”
Neste propósito se consomem!

Façamos um plebiscito!
Uma campanha pelo NÃO!
A Coca-Cola, pois então
É a força do nosso grito!

Pepsi

O Estado da Nação

São só 17 milhões!?…
Qu’ele deve ao BPN
Uma fraude, coisa ténue…
Pr’ó Orelhas são tostões!

Pois nesse passivo são cem
Milhões, sempre a crescer!
Uma instituição pr’a vender
Se não ao BPN, a quem?

Ao Estado, pois então!
Qu’assume as suas dívidas
Por desfalque são escolhidas
Pr’as assumir por condão!

Fica aqui tudo por casa
São negócios de família
Do Duarte e companhia!
Uma nova série ou saga!

Mas s’o homem é multimilionário
Porqu’as assume o Estado?
17 milhões é trocado…
Pr’as assumir o erário!?

Mas os do Porto é que são
Corruptos até à medula
No benfica tudo chula
Mas o DIAP diz que não…

E brigadas especiais
Pr’a combater estas fraudes?
São de Lisboa, compadres?
As do Porto são banais…

E se vierem dos Açores
De Vila Real, Madeira ou Faro
Nada vale pr´a Morgado
Se lá tiverem mais cores!

Por isso podem roubar!
Qu’o Estado vai assumir!
E o nosso dinheiro vai servir
Pr’a tudo vender e comprar!

E neste país tudo se corta
Desde que toque ao Zé Povinho
Ao manda-chuva, Zézinho
Não se pode mandar pr’a choça!

Isso é só nos filmes de Máfia
E feitos por Hollywood
Por aqui, s’alguém alude
Nem que seja em simples metáfora…

Fazem mais filmes do Botelho
Em parceria c’o Vasconcelos
Demonstrando-se os maiores elos
Da conjura contr’o vermelho!

Qu’arregimentando as coristas
Fazem belos planos de pernas
C’o esses árbitros, palermas
Dispostos a dar nas vistas!

E mesmo que não as apreciem
Sempre gostaram da fruta!
De bananas, o que se desfruta!?
Já os Jacintos o diziam!…

Por isso o dinheiro é o menos
Eu pago pr’a esta cultura
Que bem singrando, perdura
Neste país, porque queremos!

E ganhando à bola aos Suecos
Fazemos disso motivo!
Pr’o nosso maior cultivo
Nesta cultura dos matrecos!

Por isso os nossos heróis
Só da bola podiam vir!
Porque tud’o resto, é só rir!
BPN? Por quem sois?

Isso nunca existiu!
O sistema nunca ruiu!
O dinheiro a quem o investiu!
17 milhões? Quem o viu?

Um banco à portuguesa!

Um banco à portuguesa!

 

Ode moderna

Na conta do histerismo
P’la qualificação no play-off
Sobressai o nacionalismo
Qu’em Portugal se descobre
Por conta duma bebida
Qu’esse voodoo propagou
Santificand’a nossa vida:
Santo Ronaldo chegou!

E eu já não bebo Pepsi!
Agora só Coca-Cola!
Já não gosto do Messi
E o mundo é todo uma bola!
Portugal vai ao Brasil
Redescobrir Vera Cruz
Vamos ganhar “tótil”!
Mas festejamos, Jesus!

Temos o melhor do Mundo!
Até fez um hat-trick!
Da Madeira é oriundo
E nós cubanos, d’Ourique!
O Messi não faz igual
Nunca marcou três seguidos
Se fosse de Portugal….
O que diríamos, sentidos?

Pr’ó Blatter ele esteve ali
Nova vingança do comandante
Portugal, ali não vi…
Er’o Ronaldo, o reinante!
E sendo a su’a vitória
Também é de todos nós
Dos fracos não rez’a história…
Ó pátria dos teus egrégios avós!

E conquistand’o Brasil
Como Pedro Álvares Cabral
Ganhámos caminhos mil
Pr’a Glória de Portugal!
E ainda que nada vençamos
Como é nosso obituário
É certo que também ganhamos…
O Brasil é do nosso erário!

Ah, já se emancipou?
E já lá vão 500 anos?
O Ouro também lá ficou…
Resgatado por nuestros hermanos?
E neste novo milénio
Voltámos à época das descobertas
Passámos um novo inferno
Para ficarmos com as desertas?

Mas já não bebemos Pepsi
Só o outro veneno concorrente
O Mundial também nos merece
Um povo tão inteligente…
Somos melhor qu’os outros
Que se qualificaram directamente
Por isso esta coroa de louros
Se nos queda maravilhosamente!?…

Rejubilamos por muito pouco
O poucochinho é o nosso desejo
Um jogo d’arremedo louco
Vencemos… Que motivo régio!
Mas a vitória maior
Veio na pele dum só jogador…
Quase comutando a dor
Do nosso percurso perdedor!?

E jogamos tudo nesse herói
De seu nome Cristiano
Um novo país se constrói
No mito do feito sobre-humano
E eis que cheg’o encoberto!
Na senda desse V Império!
O mar está de novo aberto…
Portugal!? Tod’um Planisfério!….

EU estou aqui!...

EU estou aqui!…