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Monthly Archives: Abril 2013

O Bacharel

Afinal, teve Bom Mais
Ainda vai a a Bacharel
Um aluno, neste papel
Vê o futuro por sinais!

Estudioso aplicado
Sabe das leis do jogo
Só as aplica, no todo
Se não apitar o encarnado!

Fora disso, é à inglesa
Deixa correr o marfim
Estuda o jogo, sem fim
Decidindo à portuguesa!

Isto é, não julgando
Tudo permitindo no campo
Penaltis, agressões, um espanto!
Um tratado em Esperanto!

E nisto, a boa avaliação
Só podia vir de Coimbra
Cidade do Conhecimento, ainda…
Na qual aprendeu a lição!

Aí o critério foi diferente
Marcou logo, sem hesitar
Expulsando, nesse apitar
Quem d’azul era gente!

Um aluno tão congruente
Merece esse destaque
Bom Mais, d’almanaque!
Bom futuro, certamente!

Vai figurar no quadro d’honra
Em destaque no camarote
Vai ombrear c’o Calabote
Em dedicação e arromba!

Um frangueiro assalariado
Desse seu orelhas mentor
Depois d’árbitro, vai a redactor
Do velho Pravda, comó Delgado!

capela

O intestino Delgado

Vai do recto à cabeça
Este intestino Delgado
Um cheiro que não s’aguenta
Nesse canal encarnado

Pela segregação biliar
Ou no suco pancreático
O Delgado faz brilhar
O seu mijo mais fanático

É um escriba intestinal
Bilioso, sulfuroso, gasoso
Larga no grosso, no anal
Esta caga do glorioso

E na(s) Bola(s), a urina
Tem uma cor bem LIMPINHA
Pois se mija em qualquer esquina
Mesmo naquela Capelinha

Que branquinha, se manchou
Naquela vermelha mijeira
Algo, qu’o intestino largou
Como se fora uma asneira

Que não houvera intenção
Só se mijara sem querer
Não se contivera, n’acção
Dum intestino a perder

E nisto o intestino
Porque delgado, pequenino
Lava a urina e as fezes
Em surdina, nas suas redes

De má fornada, sem técnica
Um jogador sem olheiro
Um intestino de crónica
Um jornalista frangueiro

De tão vermelho, s’enrola
Na sua bílis nervosa
Larga no bolo, a Bola!
O excremento da sua prosa!

 
Delgado

A vaca volt’atacar!

A vaca voltou a atacar!
Agora, na flor de Bizâncio
Voltou no campo a pastar
Largando a bosta e ranço!

Não há mijo qu’assuste
Por isso defeca à vontade
O seu jogo é um embuste
Tem nos postes, a verdade!

E se não bastam os postes
Tem as traves pr’a roçar
Vaca leiteira, as hostes
Saúdam-te, no teu cagar!

E a vaca vai passeando
Linda, airosa, com traquejo
Uma campeã do caganço
Não passa sem o Melgarejo!

Só para dissipar o cheiro
Nauseabundo que repela!
Com’um odor de Malheiro
Em incensos de Capela!

E a vaca no seu percurso
Toma o gosto do joguete
Tem na caga, o seu recurso
Para ganhar o triplete!

E se a vaca não chegar
Também pode ser o João
Não interessa defecar
Sem ter o papel à mão!

E agora que se aproxima
A corrida do final
A vaca leiteira, já mima
Novo Capelão, pró Funchal!

Não vá a ilha afundar-se
Deixando a vaca à deriva
Com a bosta a’glutinar-se
Nesse cheiro de comitiva!

O campeão está escolhido
Garantido na leitaria
A merda é só um sortido
Qu’a vaca joga na lotaria!

 
vaca leiteira

O Janízaro Meireles

Hoje, sendo Turco, sou bem mais Lusitano!
Na pátria d’Ataturk, o orgulho é coisa séria
No dia da Liberdade, escolho ser turcomano!
Pois, lá o Janízaro, vai de chuto fazer miséria!

E desta vez as capelas, não farão vista grossa
Imperará a isenção, numa cidade sagrada
Pois, há igrejas jacentes e Mesquitas de sobra
Deus é omnipotente, e não escolhe à descarada!

E numa equipa estrangeira, impera o Português
Onde numa equipa lusa, o de fora é o portento
Que me perdoe Camões, neste dia de clichês
Prefiro a equipa turca, qu’este Regime bafiento!

Pois por lá é tudo igual, não se brinca c’as cores
Ai de quem se porte mal, com Capelas amadores
É corrido, pois a eito, naquelas vagas asiáticas
Não vingo despeito, ou convenções diplomáticas!

Por aqui é tudo igual, neste discurso do marasmo
Até um Presidente banal, se dá a tons de sarcasmo
Neste dia de Portugal, quer’a inversão de Lepanto
Uma vitória naval, sobre este país sacro-santo!

De poderes instituídos, do Ancien Régime, saudosos
De feudos constituídos, na culta linhagem dos Godos
Ou dum regime caduco, que fez da tríade, a Nação
No futebol o seu truque, unindo Deus e a Canção!

Por isso, rezo por essa obra d’arte!
Qu’acabe c’o este ranço, c’as capelas reles
Qu’a Justiça se chame Fenerbahçe!
No seu balanço: CHUTA MEIRELES!!!

 
raul-meireles-est-content

Os 3 F’s, de penalti!

Tarzan, o Boi da Selva, sente-se prejudicado
Pensa que três penaltis, são só obra do Diabo
Não existiram, evidentes; foram simulações
O Matic e o Maxi, não mereciam as expulsões!

Foi tudo ganho, limpinho, sem intervenção capilar
O Careca, num jeitinho, só lá esteve para apitar
Num critério largo, conveniente, pr’a Inglês ver
E o Regime, indiferente, tudo pode pr’a vencer!

Com placagens, com rasteiras, com pisadelas
À Inglesa, limpinho, limpinho, sem esparrelas
Sem penaltis, sem expulsões, com obras d’arte
Com Capelas, sem sanções: um mundo à parte!

Para o seu Regime vencer, tudo é possível
Inventa apitos, outras escutas sem combustível
Raivoso que está, naquele jogo das evidências
Finge que dá, um só penalti, pr’as conveniências

De tão indecoroso, este campeonato das encomendas
Escondem o nervoso, nos seus túneis de prebendas
É assim que ganham, em novas falácias mentirosas
Que bem s’amanham, nas suas naftalinas resinosas!

Vai ser um cheiro dos Diabos, quando isto findar
A poeirada, os cheiros bafientos que vão voar
Cachecóis, bandeiras, panos vermelhos, e reservados
Capelões, freiras, padres, evangelhos, e outros prelados!

Tudo a rezar, com a sua bíblia escrita em aramaico
O Jesus no altar, a professar no seu verborraico:
Tudo limpinho, sempre acarditei, neste momento!
Lá vai o Regime: fado, futebol, e o seu sacramento!

FFF

O Fado milagreiro

O Fado Milagreiro

Ó Rua do Capelão…
Viraste o bico ao prego
Por apanhares um ladrão
Mais rápido qu’a um cego!

Uma rua pequenina
Do tamanho de Carnide
Não se destaca sozinha
Precisa de quem transgride

Por isso apelam aos Bispos
Aos diáconos, padres, anacoretas
Que rezem muito, c’os crucifixos
Esse milagre: Jesus e as suas tretas!

Salvara limpinho, sem mácula
Sem roubos d’igreja ou esmola
Numa capela, rezou a sua rábula
Salvador que se veja, leva escola!

Por isso não há erro que vingue
Nesta doutrina do bem, da verdade
Há sempre um milagre que se exprime
Quando convém, neste bairro da saudade!

E a rua do Capelão, canta a sua grandeza
Pequena, histórica, insinuante e viciosa
Não há ladrão, qu’a ofusque em nobreza
Brejeira, anedótica, uma gigante: gloriosa!

http://politicasindical.wordpress.com/2013/04/22/o-fado/

 

roubos_de_catedral

Porto Sentido

Soube daquele naufrágio, na chegada a Vera Cruz
A nau ficara deposta, no fundo do mar de marasmo
Por inércia ou por contágio, no caminho para Ormuz
Num rombo ficara exposta, afundara sem pleonasmo…

Era uma nau dimensionada, com forte artilharia
Algo imperfeita nas alas, num desiquilíbrio notório
Mas, uma caravela testada,em rondas de geografia
Vencedora de batalhas, que rasgara o promontório

Daquele rochedo Adamastror, qu’ousara defrontar
Ultrapassando, com dor, a besta daquele lugar
Que, ufano se dizia, um monstro sempre invencível
Por cinco pontos que trazia, de registo imperecível…

Mas a nau lá o torneou, deixando o rochedo derribado
Nesse instante, s’apagou, aquele “farol” ensombrado
E desfraldada se vingou, no pavilhão, a invicta bandeira
Uma luz que adornou, um campeão, sem outra esteira…

Pois já antes tinha baqueado, à frente da pequena ilha
Aquele Chipre agigantado, na pequenez da sua silha
E como prova de garantia, D. Nuno, de novo a lançou
Nas águas dum novo dia, que sem rumo, naufragou

Não por falta de tripulação, que fora audaz e guerreira
Deficiência de construção, e um comandante charneira
Imediato de D. Villa-Boa, que pelo corso, se vendeu
Deixando a nau sem proa, em seu maior apogeu…

E o Rei que vislumbrava, a sua esquadra à deriva
Desarmado de seu líder, sem outra escolha polida
Arriscou cursar o mar, sem garantias de maior força
Pra um triste naufragar, neste sargaço de troço

E no rescaldo da derrota, num naufrágio previsível
O líder da sua tropa, deve manter-se cognoscível
Salvando o remanescente, sacrificando o perdido
Encabeçando a sua gente, grit’o – Porto Sentido!

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